Xanana em Portugal revela que custou menos ser torturado pelos indonésios do que praxado pelos doutores de Coimbra
06 fevereiro, 2014
Político timorense ainda quer ser doutor.
Xanana Gusmão iniciou hoje uma visita a Portugal, com uma agenda da qual fazem parte diversos encontros políticos e o lançamento de um livro. No entanto, antes de partir para Lisboa, a única coisa que o primeiro-ministro timorense quis saber foi como se vai processar a prevista cerimónia de doutoramento honoris causa no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. «Vai haver alguma praxe? Se houver praxe eu nem ponho os pés em Portugal! Custou-me mais a aula fantasma de Economia Política na Faculdade de Direito de Coimbra do que aquela vez na prisão de Cipinang quando os indonésios me arrancaram as unhas todas dos pés e das mãos com um alicate», afirmou Xanana, em rigoroso exclusivo para o Jornal do Fundinho.

Esta súbita recordação do tempo de cativeiro chegou mesmo a emocionar o líder timorense. «Quando me questionam sobre os meus piores dias nas prisões indonésias, eu digo sempre que ninguém pode imaginar o que é o verdadeiro desespero até passar por situações tão indignas e atentatórias da dignidade humana como as que vivi. Momentos em que a morte parece um destino melhor e em que a desejamos mais do que a própria liberdade. Por isso, as prisões da Indonésia foram uma estância de férias quando comparadas com as praxes», revelou.
Estudante da Universidade de Coimbra desde a década de 1990, Xanana Gusmão é um dos alunos com pior aproveitamento da história daquela instituição, não tendo concluído até hoje uma única cadeira. «Não é fácil ser guerrilheiro ou preso político e estudante ao mesmo tempo. Acho que é a Universidade que está a falhar, porque já teve muito tempo para criar um estatuto do estudante-guerrilheiro», explicou-se o histórico dirigente timorense. Apesar das dificuldades, Xanana reafirmou-se comprometido com os estudos e garantiu: «Eu hei de ser doutor, dê por onde der, nem que tenha de me inscrever numa universidade privada de segunda... até já perguntei ao Sócrates, ao Passos e ao Relvas quais são as que dão melhores condições».
Xanana Gusmão iniciou hoje uma visita a Portugal, com uma agenda da qual fazem parte diversos encontros políticos e o lançamento de um livro. No entanto, antes de partir para Lisboa, a única coisa que o primeiro-ministro timorense quis saber foi como se vai processar a prevista cerimónia de doutoramento honoris causa no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. «Vai haver alguma praxe? Se houver praxe eu nem ponho os pés em Portugal! Custou-me mais a aula fantasma de Economia Política na Faculdade de Direito de Coimbra do que aquela vez na prisão de Cipinang quando os indonésios me arrancaram as unhas todas dos pés e das mãos com um alicate», afirmou Xanana, em rigoroso exclusivo para o Jornal do Fundinho.

Xanana não gostou da praxe [foto E. Calhau]
Esta súbita recordação do tempo de cativeiro chegou mesmo a emocionar o líder timorense. «Quando me questionam sobre os meus piores dias nas prisões indonésias, eu digo sempre que ninguém pode imaginar o que é o verdadeiro desespero até passar por situações tão indignas e atentatórias da dignidade humana como as que vivi. Momentos em que a morte parece um destino melhor e em que a desejamos mais do que a própria liberdade. Por isso, as prisões da Indonésia foram uma estância de férias quando comparadas com as praxes», revelou.
Estudante da Universidade de Coimbra desde a década de 1990, Xanana Gusmão é um dos alunos com pior aproveitamento da história daquela instituição, não tendo concluído até hoje uma única cadeira. «Não é fácil ser guerrilheiro ou preso político e estudante ao mesmo tempo. Acho que é a Universidade que está a falhar, porque já teve muito tempo para criar um estatuto do estudante-guerrilheiro», explicou-se o histórico dirigente timorense. Apesar das dificuldades, Xanana reafirmou-se comprometido com os estudos e garantiu: «Eu hei de ser doutor, dê por onde der, nem que tenha de me inscrever numa universidade privada de segunda... até já perguntei ao Sócrates, ao Passos e ao Relvas quais são as que dão melhores condições».
Etiquetas: Mundo