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«Vi logo que era o início de um grande amor»

20 novembro, 2009

Poucas semanas depois de o lançamento do seu último livro ter sido ultrapassado pelo interesse mediático em "Caim", de José Saramago, o escritor António Lobo Antunes surpreende ao publicar uma nova obra. "Eu, António" conta a história da sua relação com o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, prometendo não deixar pedra sobre pedra no edifício do futebol e no mundo das artes. O Jornal do Fundinho foi falar com o autor do livro que promete ser o maior best-seller português desde "Eu, Carolina".

Reconhecerá que esta revelação de que esteve envolvido com Luís Filipe Vieira apanha toda a gente de surpresa...
Toda a gente não, que um avô meu, logo pelos meus sete anos, percebeu que eu era maricas.

Sim, lembro-me de já ter falado nisso numa entrevista. Foi por ter lido as novelas de Corin Tellado.
Não, não. Foi por ter enrolado um desses livros muito bem e o ter enfiado no...

Lobo Antunes, já percebemos! Mas diga-nos, como conheceu o presidente do Benfica?
Bem, eu trabalhava pfpfpfpfpfpfppd...

Desculpe, importa-se só de tirar as mãos da frente da boca? É que não se percebe nada do que diz...
Sim, claro. Dizia eu que trabalhava no hospital psiquiátrico da Loucura da Noite. Um dia, o Luís Filipe apareceu lá, meio perdido, porque tinha ido ver o Mantorras.

Mas o Mantorras esteve internado num hospital psiquiátrico?
Não, mas quem foi a conduzir foi o então director-desportivo do Benfica, o José Veiga e, como ele não sabe ler, não percebeu as placas na estrada e acabaram ali em vez de irem para onde queriam, que era para uma serralharia em Alverca! Mas eu vi logo, mal olhei para o Luís Filipe, que aquilo era o início de um grande amor...

Como é que percebeu isso?
Foi quando ele disse fpfpsppppsfffff...

Desculpe, tem de tirar os punhos da frente da boca...
Está bem. Foi quando ele disse que o Benfica ainda havia de ser campeão europeu.

Mas isso é um disparate!
Talvez, mas eu, iludido, pensei que era aquela coisa que eu costumo fazer nos meus livros de sobrepor a verdadeira realidade e uma realidade imaginária... E pensei que tinha ali uma alma gémea. Quando ele se foi embora, até lhe disse: «Não entres tão depressa nessa noite escura» e ele disse que eu devia escrever um livro com esse título.

Não estava, portanto, habituado àquele tipo de pessoas...
Não, de todo. Hoje gosto muito mais de pessoas, e você entra nesse grupo. Mas, voltando atrás, fpffffpssspfff...

Os cotovelos... estão à frente da boca...
Desculpe. Ia eu dizer, que, naquele sítio, não costumavam aparecer homens assim. Eram quase todos malucos. Havia um que não me largava para que eu fosse fazer electro-choques com ele. Certa vez, eu disse-lhe para ele ir para os cus de Judas. Quando ele me disse que não sabia onde era, eu respondi-lhe: «É entre a "Memória de Elefante" e "A Explicação dos Pássaros"».

Como era a sua vida com Luís Filipe Vieira?
O Luís Filipe era uma pessoa muito especial. Adorava que eu lhe lesse Faulkner na versão original. Dizia que não falava inglês, mas que percebia melhor aquilo do que as coisas que eu escrevia. Era um brincalhão... Era uma das razões porque eu gostava dele. Eu gosto de pessoas e gosto muito de si. Mas Luís Filipe gostava também muito que eu fffssspppppsfffff...

Tem os ombros à frente da boca...
Certo... O Luís Filipe gostava que eu lhe aparasse o bigode. Certo dia, pediu também que eu lhe aparasse... outros pêlos. Eu acedi e até disse logo: «Boa tarde às coisas aqui em baixo» e ele disse que eu devia escrever um livro com esse título.

Era, portanto, uma vida a dois feliz?
Sim. Eu fazia tudo por ele! Inclusive, como ele tinha problemas de flatulência, havia alturas em que eu começava a escrever freneticamente, para fazer muito barulho com o teclado, para que não se ouvissem os barulhos dos, pronto, está a ver... É por isso que os meus livros são os calhamaços que se sabe.

Quando é que a relação começou a mudar?
Custa-me muito falar disto com pessoas de quem gosto, como você. Mas posso dizer-lhe que as coisas se alteraram quando ele pffffpppppssspffpppf...

Não percebi, é que tem os joelhos à frente da boca...
Dizia eu que foi quando o Luís Filipe conheceu aquela desavergonhada da Margarida Rebelo Pinto! Ele chegou a confessar-me que tinha mesmo mantido um relacionamento com ela. Mas disse-me que tinha acabado tudo devido à limitação que ela tinha na caracterização de personagens de estrato social que não o dos seus protagonistas. Mas a verdade é que as coisas não voltaram a ser as mesmas... Passou a chamar-me obsessivo e denso e a dizer que queria algo mais light. Eu até lhe disse: « Eu hei-de amar uma pedra» e ele disse que eu devia escrever um livro com esse título.

Durante a vossa relação, certamente ficou a conhecer os meandros do futebol português...
Ah, sim! Havia muitos árbitros que eram visitas de nossa casa! Mas o Luís Filipe nunca telefonava a um árbitro.

Para não deixar provas?
Não, não, porque era muito mariconço e não deixava que eu lhe tirasse os pêlos dos ouvidos. Por isso não ouvia bem o que lhe diziam e preferia ter as pessoas à frente dele. Como eu, desde que sejam pessoas de quem gosto, como é o seu caso.

Há também quem diga que foi o presidente do Benfica quem mandou agredir certo político que o vinha acusando da prática de corrupção...
Foi ele que mandou, sim, mas fui eu quem tratou de tudo. Falei com uns amigos que tenho na minha editora, uns rapazes que andam lá a empilhar os calhamaços de outros autores assim como eu, que não podem escrever livros com menos de 1759 páginas senão deixam de ser considerados escritores... São gente de quem gosto, como gosto de si. E pedi-lhes que ffffpppppspssssppppfff...

Tem os tornozelos à frente da boca...
Pois, desculpe lá... Mas então, pedi-lhes que apanhassem esse tal vereador e lhe lessem, de uma ponta à outra, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e "O Homem Duplicado". Ninguém resiste a uma dose dupla de frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional, com os diálogos das personagens a serem inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, num tipo de marcação das falas que propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto de o leitor chegar a confundir um diálogo real com um mero pensamento.

Pois, se calhar não... Para finalizar, acha que este pode ser o livro que vai finalmente valer-lhe o Nobel?
Eu não penso nisso, sabe? Eu quero é estar com pessoas de quem gosto. E gosto de si. Se fffpppspppsssfffff...

Desculpe, não deu para perceber, tinha os dedos dos pés à frente da boca...
Disse que não penso no Nobel, que na verdade nunca me preocupei com isso, não é algo que me ocupe o pensamento... Digo-lhe mais: se aqueles cab**** do car****, aqueles filhos-da-p*** da Academia Sueca não me quiserem dar essa mer** desse car**** desse prémio que só serve para coçar os tom**** quando eles nos estão a morder, então não dêem! A mim isso não me importa...

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Lucília Gralha

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